Anexo Sede administrativa de POA

Anexo Sede Administrativa de POA – 2014

O desenvolvimento de um projeto arquitetônico demanda um substrato teórico proporcional às problemáticas encontradas durante a análise do contexto e do conteúdo programático. Algumas questões surgem e a interpretação da realidade e das expectativas revelam um sujeito arquiteto posicionado ideologicamente. Por exemplo:

Que modelo de cidade tais dinâmicas revitalizadoras do espaço público pretendem construir em Porto Alegre e qual modelo de padrão arquitetônico o projeto deste edifício representaria? As condições de entorno dadas pela austeridade do edifício original e pela paisagem circundante também poderiam ser incorporados à solução projetual, mas como?. E frente à toda crise de representação política, qual a mentalidade dos arquitetos quanto ao papel estético e funcional dos edifícios institucionais?

Como conceito arquitetônico, a síntese projetual converge a solução de duas problemáticas contextuais básicas: a ligação física entre o edifício anexo e original através da continuação da Avenida Cultural Clébio Sória; e a integração visual com o parque Parque Maurício Sirotsky Sobrinho  e o lago Guaíba. Assim, inicialmente, formaliza-se um nó articulador entre prédios e um eixo de conexão visual com a paisagem através de um volume linear.

Alguns questionamentos da ordem do conteúdo programático ainda incorporam-se a síntese projetual. O processo de geração de cheios e vazios como abrigo para as atividades humanas esperadas e possíveis completam o desenvolvimento do conceito arquitetônico.

Nesse sentido, delinea-se o vazio principal como o objeto concentrador de significado conceitual. Pois, nele há a convergência de duas intenções: a de torná-lo o foco plástico -imagético do edifício, através da experiência arquitetônica de imersão espaço-temporal; e a de abrigar a área de convivência, permitindo novas apropriações e resignificações destes espaços.

A presente proposta configura o vazio principal como espaço público irrestrito onde os espaços de exposição e de descanso são superpostos a um percurso vertical que leva ao terraço coberto, ao restaurante e à cobertura verde – possibilitando inclusive a visualização do que acontece no interior do edifício – como um elemento expositivo. Entende-se o conteúdo arquitetônico para além da rigidez do programa. Aceita-se a possibilidade de eventos aleatórios frutos do devir e da experimentação do corpo no percurso reconfigurarem a própria forma que os abriga. Assim, constitui-se no objeto concentrador de significado (vazio principal) o palco público para a participação ativa das pessoas – nada mais justo, tratando-se de um edifício institucional da democracia representativa.

No plano horizontal, a composição do cheio desenrola-se através da modulação estrutural de 7,20 m e restringe a altura dos pavimentos de acordo com o edifício existente. Nessa malha, acomoda-se a laje nervurada e os pilares em concreto. Esse processo de racionalização construtiva através da modulação nos permite inclusive trabalhar com submodulos de 40 cm ou 60 cm, proporcionando encaixes bem resolvidos entre os componentes, além de diminuir-se o desperdício.

A setorização não se limita a reproduzir a estreita divisão dos ambientes descrita no programa de necessidades. Para além disso, ela explora os diferentes tipos de fluxos, sejam os de serviço, operacionais, públicos, restritos, etc para criar formas de conexão entre os compartimentos. Ademais, o sistema construtivo modulado composto por piso elevado e fechamentos removíveis permitem a constante alteração de layout do edifício, tornando-o mais flexível as variáveis funcionais e espaciais.

Para viabilizar a construção, duas fases são propostas: a primeira compreende a execução da ala oeste, maior, e da circulação que liga o edifício novo ao antigo; já a segunda compreende a ala leste, menor, onde há o acesso, átrio e o auditório. Novamente, a flexibilidade dos sistemas construtivos empregados tornam-se desejáveis, pois, permitem adequações espaciais para acomodar os ambientes mais urgentes.

As preocupações quanto aos impactos e consequências ambientais também são consideradas. Como estratégias bioclimáticas destacam-se: a proteção solar das fachadas norte e oeste; a utilização de cobertura verde para diminuir a absorção térmica; a orientação ao sul de grande parte dos panos de vidro; e o funcionamento termorregulador do prisma de vidro horizontal que controla a circulação de ar (pelo posicionamento de aberturas específicas) e o efeito estufa causada pela incidência solar no vidro – de modo que nos dias mais quentes e mais frio, sistemas naturais de condicionamento térmico possam ser utilizados.

O reaproveitamento de resíduos e a capacidade de auto geração energética também são inseridas no desenvolvimento do projeto. Sistemas de reaproveitamento de água de chuva e de águas cinzas são explorados. Placas fotovoltaicas instaladas na cobertura são utilizadas para atender os diversos usos energéticos. E a utilização de uma micro usina de pirólise faz-se extremamente interessante para transformar os resíduos dos dois edifícios em energia.

 

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